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Perspectivas

Escola de Verão do Partido Socialista pela Igualdade: As lições da história na luta pelo socialismo hoje

Publicado originalmente em 8 de agosto de 2023

O Partido Socialista pela Igualdade (Estados Unidos) realizou a sua Escola de Verão Internacional bienal entre domingo, 30 de julho, e sexta-feira, 4 de agosto. A escola foi dedicada a uma revisão detalhada da história do movimento trotskista, especificamente o período de 33 anos entre a fundação do Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) em 1953 e o racha com os oportunistas nacionais do britânico Workers Revolutionary Party (WRP) em 1985-86.

A escola foi realizada on-line, permitindo a participação de membros de todas as seções e grupos simpatizantes do CIQI. Todas as palestras e discussões foram traduzidas e legendadas simultaneamente em oito idiomas diferentes usando tecnologias baseadas em inteligência artificial. Além disso, a direção do Partido Socialista pela Igualdade (SEP) considera imprudente, a ponto de ser irresponsável, realizar uma grande reunião presencial de uma semana em meio a uma pandemia, quando existe uma alternativa on-line segura e eficaz.

Um total de 12 palestras foram apresentadas durante seis dias por dirigentes do CIQI e grupos simpatizantes de 10 países. Essas palestras serão publicadas no World Socialist Web Site nas próximas semanas, começando com a palestra de abertura publicada hoje, “Leon Trotsky e a Luta pelo Socialismo na Época da Guerra Imperialista e da Revolução Socialista”, do Presidente do Conselho Editorial Internacional do WSWS e Presidente Nacional do SEP, David North.

Essa palestra resgatou a visão geral da história do movimento trotskista apresentada na Escola de Verão de 2019. Cinco fases distintas na história do movimento trotskista foram identificadas naquele ano, com as primeiras quatro sendo: 1) Entre a fundação da Oposição de Esquerda em 1923 e a fundação da Quarta Internacional em 1938; 2) Entre a fundação da Quarta Internacional e a formação do Comitê Internacional em novembro de 1953; 3) Entre a formação do CIQI e o racha final com os oportunistas nacionais no WRP em 1986; e 4) O período após o racha com o WRP.

A palestra de abertura de 2019 afirmou que o quinto estágio, agora em andamento, seria caracterizado por uma enorme intensificação da crise capitalista, pela escalada da luta de classes e pelo crescimento da influência política do CIQI.

As palestras da escola deste ano se concentraram na terceira fase da história do movimento trotskista. Esse foi um período de intenso conflito dentro do CIQI, no qual os trotskistas travaram uma luta prolongada contra diferentes formas de liquidacionismo pablista, que negava o papel revolucionário da classe trabalhadora e buscava subordinar a Quarta Internacional aos movimentos stalinistas, socialdemocratas e nacionalistas burgueses.

A palestra de abertura de David North deu o tom de toda a semana. Ele começou dedicando a escola à vida e à memória de Wije Dias, que ocupou o cargo de secretário geral da seção do Sri Lanka do CIQI por 35 anos até sua morte em 27 de julho de 2022. Ao prestar homenagem ao camarada Wije, North chamou a atenção para o papel central que ele desempenhou na direção do movimento trotskista do Sri Lanka por mais de seis décadas. “As características marcantes de Wije eram a coragem pessoal ilimitada e inalterada e o compromisso inabalável com os princípios políticos”, disse North. “Isso era reconhecido até mesmo por seus oponentes políticos, que, quando estavam em sua presença, não podiam deixar de se sentir um pouco envergonhados por seu próprio oportunismo.”

North então se perguntou: Até que ponto a avaliação em 2019 de um novo estágio no movimento trotskista pode ser verificada? “Olhando para os últimos quatro anos”, ele afirmou, “é um fato indiscutível que a escola de 2019 ocorreu na véspera de uma escalada maciça da crise econômica, política e social do imperialismo”. Os principais elementos dessa crise incluem o início da pandemia de COVID-19 nos primeiros meses de 2020; a tentativa de golpe fascista nos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021; a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, que foi instigada e tem sido implacavelmente escalada pelas potências imperialistas dos EUA e da OTAN; e um enorme aumento nas lutas da classe trabalhadora em todo o mundo.

Chamando a atenção para a extrema imprudência do governo Biden na condução da guerra com a Rússia, North enfatizou que ela deve ser entendida como parte do esforço prolongado da classe dominante americana para compensar sua posição econômica global em declínio através da força militar. “A preservação do papel central dos Estados Unidos na geopolítica global”, explicou ele, “sem falar em sua luta pela hegemonia, está totalmente ligada à manutenção do dólar americano como a indiscutível moeda de reserva mundial”.

North enfatizou não apenas a escala da crise capitalista, mas também o papel essencial do CIQI e de sua publicação, o World Socialist Web Site, para oferecer uma perspectiva e orientação para a classe trabalhadora. A expansão da autoridade política do CIQI nos últimos quatro anos pode ser vista em seu papel central na exposição do projeto 1619 do New York Times; a mobilização da oposição à política da classe dominante em relação à pandemia, incluindo a fundação da Investigação Mundial dos Trabalhadores sobre a Pandemia de COVID-19; a campanha entre trabalhadores e jovens contra a guerra dos EUA-OTAN contra a Rússia na Ucrânia e o ressurgimento do fascismo internacionalmente; e o crescente apoio à Aliança Operária Internacional de Comitês de Base (AOI-CB), iniciada pelo CIQI em 2021.

Em seguida, ele resumiu a concepção política básica que motiva a escola. “Nosso trabalho parte da premissa fundamental e historicamente verificada de que a classe trabalhadora é a força revolucionária básica na sociedade, capaz - em virtude de seu papel objetivo no processo de produção - de derrubar o sistema capitalista. O fato de a classe trabalhadora poder ou não atingir o nível de autoconsciência política e de compreensão de suas tarefas históricas não é uma questão para especulação inútil. O que pode ou não ser alcançado será determinado na prática. Sem dúvida, é verdade que as revoluções sofreram derrotas. Mas foi demonstrado - acima de tudo, na experiência da Revolução de Outubro de 1917 - que a classe trabalhadora, com a liderança necessária, pode derrubar a classe dominante.”

Essa liderança deve se basear, acima de tudo, em uma compreensão das imensas experiências da classe trabalhadora no século XX, que foram conscientemente analisadas e combatidas na história do movimento trotskista.

Enfrentar os desafios de um período revolucionário, disse North, “requer maior atenção à educação dos membros do partido. O elemento mais importante dessa educação é aumentar o conhecimento e a compreensão dos quadros sobre a história do movimento trotskista”. Ele continuou:

Para o movimento marxista, o conhecimento histórico sempre foi a base da prática revolucionária. A assimilação da experiência histórica é a base para uma prática teoricamente orientada, que deve transcender a abordagem pragmática da política, que geralmente considera a experiência individual e as impressões pessoais como o ponto de partida da atividade política.

Toda a escola foi animada por essa perspectiva. Um tema constantemente abordado foi a relação entre a prática revolucionária e a história. Nesse sentido, a escola foi totalmente única. Não há uma única outra tendência política que possa fornecer um relato objetivo e honesto de seu papel e de suas posições políticas na última década, muito menos no último século. Organizações como o Syriza na Grécia, o Podemos na Espanha, o Partido A Esquerda na Alemanha e os Socialistas Democráticos da América (DSA) nos Estados Unidos baseiam suas políticas em uma manobra pragmática após a outra, com cada traição invariavelmente seguida de uma guinada para a direita.

As palestras analisaram uma série de experiências críticas, incluindo a base política para a fundação da Quarta Internacional por Trotsky em 1938; o surgimento do CIQI na luta contra o liquidacionismo pablista em 1953; a Revolução Cubana e a oposição do CIQI ao castrismo e ao nacionalismo pequeno-burguês; a “Grande Traição” no Sri Lanka, quando o LSSP se uniu a um governo burguês em 1964; as complexas questões políticas envolvidas na ruptura com a OCI na França em 1971; a crítica marxista às teorias econômicas “neocapitalistas” de Ernest Mandel; o rompimento com Tim Wohlforth em 1974 e a renovação da luta contra o pablismo na Workers League, predecessora do SEP; as origens e o desenvolvimento da investigação “Segurança e a Quarta Internacional” sobre o assassinato de Trotsky, iniciada em 1975; e as questões filosóficas e políticas envolvidas na cisão com o Workers Revolutionary Party em 1985-86.

A revisão geral dessa história foi realizada não do ponto de vista da contemplação passiva, mas da ação revolucionária. Todas as palestras e discussões durante a escola foram imbuídas do entendimento de que as experiências do passado são a base para orientar a classe trabalhadora no presente. A história, nesse sentido, é uma força ativa na luta para construir um movimento político na classe trabalhadora para tomar o poder, abolir a desigualdade, acabar com a guerra imperialista e reorganizar a vida social e econômica com base no socialismo.

Nós fazemos um chamado a todos os nossos leitores que estudem cuidadosamente as palestras da Escola de Verão Internacional do SEP e façam delas a base para sua própria educação política.

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