Publicado originalmente em 30 de janeiro de 2026
O governo Trump está se preparando para lançar uma nova e catastrófica guerra contra o Irã. “Uma enorme frota naval está a caminho do Irã”, declarou Trump na quarta-feira no Truth Social. “Tal como com a Venezuela, ela está pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente a sua missão, com rapidez e violência, se necessário.” Citando a campanha de bombardeios dos EUA e Israel em junho de 2025, que matou mais de mil iranianos, ele ameaçou, na linguagem de um chefe da máfia: “O próximo ataque será muito pior!”
O envio de uma enorme frota naval para o Golfo Pérsico, combinado com essas ameaças públicas, deixa claro que o curso já foi traçado para uma grande ação militar.
A escala do contingente é imensa. O porta-aviões USS Abraham Lincoln, acompanhado por três contratorpedeiros com mísseis guiados, entrou nas águas do Oriente Médio esta semana após transitar pelo Mar do Sul da China. Os EUA têm agora 40.000 soldados na região, cinco esquadrões aéreos em cinco países, caças F-35 e F-18, mísseis Tomahawk e sistemas adicionais de defesa aérea Thaad e Patriot. Dois contratorpedeiros foram posicionados perto do Estreito de Ormuz.
Na quinta-feira à noite, o New York Times publicou um artigo, co-escrito por cinco dos mais proeminentes repórteres que cobrem a Casa Branca, o Pentágono e a política externa, delineando as “novas opções militares de Trump contra o Irã”. O Times, falando em nome do Partido Democrata, está ativamente envolvido na legitimação e preparação da opinião pública para um ato criminoso de agressão.
O artigo analisa detalhadamente uma “lista ampliada” de opções militares apresentadas a Trump, incluindo “forças americanas” realizando “ataques a locais dentro do Irã” e ataques aéreos contra infraestruturas nucleares e de mísseis. Entre as opções, escreve o Times, está uma série de ataques que “causariam tal turbulência que poderiam criar as condições no terreno para que as forças de segurança iranianas ou outras forças removessem o líder supremo de 86 anos, o aiatolá Ali Khamenei”.
O que essa “remoção” envolveria e quem seriam as “outras forças”, o Times não diz, mas a linguagem é claramente uma ameaça de assassinato pelas forças americanas ou israelenses.
Os autores escrevem que a postura de Trump em relação ao Irã segue “uma abordagem semelhante à da Venezuela, onde os Estados Unidos mobilizaram forças ao largo da costa durante meses como parte de uma campanha de pressão para derrubar Nicolás Maduro”. Quando isso “falhou”, escrevem eles, “as forças americanas... atacaram o país e o capturaram. Ele e sua esposa estão agora detidos para julgamento em uma prisão federal no Brooklyn”.
Para evitar um ataque militar, o governo Trump está exigindo que o Irã renuncie à tecnologia nuclear civil que tem o direito legal de possuir, entregue todo o seu urânio aos Estados Unidos, abandone seus aliados regionais e elimine os mísseis balísticos capazes de atingir Israel — garantindo que Israel possa atacar à vontade, sem medo de retaliação. Em condições em que décadas de sanções já devastaram a economia iraniana, a aceitação desses termos reduziria o Irã a um estado vassalo dos Estados Unidos.
Essas “exigências” lembram as feitas pela Áustria-Hungria à Sérvia em julho de 1914, antes do início da Primeira Guerra Mundial, elaboradas não para serem aceitas, mas para servir de pretexto para uma guerra já decidida.
A avaliação socialista desta guerra não se baseia nas políticas do governo iraniano — por mais repressivas que sejam —, mas no caráter histórico de ambos os países. Os Estados Unidos são o país imperialista mais poderoso do mundo. O Irã é uma nação historicamente oprimida, sujeita a um golpe patrocinado pelos EUA em 1953 que instalou um regime tirânico e décadas de sanções econômicas punitivas e ameaças militares desde a revolução de 1979. Esta é uma guerra imperialista contra um antigo país colonial, cujo objetivo é escravizar o povo iraniano.
O imperialismo americano tem procurado há décadas derrubar o regime burguês-clerical em Teerã, como parte de um projeto mais amplo de construção de um “Novo Oriente Médio” sob a hegemonia dos EUA. A atual escalada militar é uma continuação da destruição do Iraque, da guerra na Síria, do bombardeio da Líbia pelos EUA e pela OTAN e do genocídio dos palestinos em Gaza, apoiado pelos EUA e perpetrado por Israel. Israel está agora pronto para se juntar diretamente a qualquer ataque dos EUA ao Irã.
Os protestos no Irã causados pelas sanções lideradas pelos EUA foram aproveitados por Washington e seus aliados como justificativa para uma mudança de regime, enquanto promovem cinicamente o filho do xá, Reza Pahlavi, radicado nos EUA, como o potencial líder de um “novo Irã”. Alegações de que 30 mil manifestantes foram mortos têm sido promovidas pelos governos e pela mídia ocidentais, apesar da fonte altamente duvidosa desses números. As mesmas potências imperialistas que denunciam o Irã por sua repressão são aliadas da Arábia Saudita — que decapita dissidentes políticos — e de Israel, que cometeu um genocídio em Gaza. A hipocrisia é óbvia.
Por sua vez, o regime burguês-clerical em Teerã, hostil às aspirações democráticas e sociais da massa empobrecida da população, ainda espera chegar a um acordo com o imperialismo para recuperar o acesso ao mercado capitalista mundial e aos investimentos globais.
A brutal erupção da violência imperialista dos EUA é impulsionada por um esforço para resolver uma crise econômica crescente e manter a hegemonia global de Washington por meio da força militar. Ao longo do último ano, o valor do dólar caiu 10%. O preço do ouro, uma proteção contra o dólar, subiu para mais de US$ 5.500 por onça, um aumento de quase US$ 700 em uma única semana. A dívida federal dos EUA está em US$ 38,4 trilhões e cresce US$ 8 bilhões por dia. As três principais agências de classificação de crédito rebaixaram a dívida soberana dos EUA, enquanto o Deutsche Bank alertou para uma “crise de confiança na moeda americana”.
O Irã possui a terceira maior reserva comprovada de petróleo do mundo e a segunda maior reserva de gás natural. Assim como a Venezuela, ele fornece 90% de suas exportações de petróleo para a China, tornando-se uma fonte crítica de energia para o principal rival de Washington. O Irã controla o Estreito de Ormuz, por onde passam diariamente 20% do petróleo mundial. O controle dos EUA sobre o Irã daria a Washington um domínio absoluto sobre o abastecimento de energia da China, Índia, Japão e Europa.
A Groenlândia, que Trump exige que seja entregue pela Dinamarca e seu governo autônomo, contém terras raras essenciais para a indústria chinesa. O alvo final é a própria China — e a Rússia, que, diante da guerra instigada pelos EUA e pela OTAN na Ucrânia, expandiu seus laços militares e estratégicos com Teerã.
Uma nova guerra não ficaria confinada ao Irã. Ela envolveria todo o Oriente Médio. O Irã poderia responder fechando o Estreito de Ormuz, provocando uma crise econômica global. Como a China responderia a tal ato de agressão, que claramente também é dirigido a ela? Para avançar sua agenda global predatória, o imperialismo americano está incendiando a região e potencialmente provocando uma conflagração global.
Além do agravamento da crise econômica, o governo Trump enfrenta uma crescente crise social e política interna. Há uma oposição em massa aos seus esforços para estabelecer um estado policial nos Estados Unidos. Milhões de pessoas ficaram chocadas e se mobilizaram para a ação política com os assassinatos de Renée Good, em 7 de janeiro, e Alex Pretti, em 24 de janeiro, em Minneapolis.
O governo vê mais uma guerra como uma saída para essas crises crescentes. Ele pretende usar a guerra não apenas para perseguir seus objetivos imperialistas no exterior, mas também como pretexto para intensificar a repressão interna — rotulando os oponentes políticos domésticos de Trump como “terroristas”.
Na semana passada, o Partido Democrata intensificou seus esforços para suprimir a oposição à ditadura em desenvolvimento de Trump e chegar a um acordo político com a Casa Branca. Na quinta-feira, os democratas do Senado chegaram a um acordo com Trump e os republicanos para aprovar uma medida bipartidária que evita a paralisação do governo e financia integralmente o Pentágono até 30 de setembro. O acordo inclui a prorrogação do financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) — órgão que supervisiona as operações do ICE e do CBP — por mais duas semanas.
A principal preocupação dos democratas é preservar a “estabilidade” interna enquanto os Estados Unidos se preparam para lançar uma nova guerra imperialista. Todo o establishment político apoia o imperialismo americano e seus objetivos de guerra. A classe trabalhadora não pode confiar nas Nações Unidas, nos tribunais internacionais ou em qualquer instituição do Estado capitalista para defender seus interesses.
A única base viável para se opor à guerra é a mobilização independente dos trabalhadores em todos os países contra o sistema capitalista e a oligarquia financeira que ele serve.
A luta contra a guerra deve estar indissociavelmente ligada à luta pela defesa dos direitos democráticos, dos empregos e dos padrões de vida. O mesmo governo que prepara uma guerra criminosa no exterior está realizando prisões em massa no país, destruindo programas sociais e supervisionando demissões em massa. Guerra, ditadura, austeridade e repressão são todas expressões da resposta da oligarquia financeira ao aprofundamento da crise do capitalismo.
Uma guerra contra o Irã seria um crime não apenas contra o povo iraniano, mas também contra a classe trabalhadora americana. A luta contra a guerra imperialista deve ser levada adiante através da mobilização dos trabalhadores de todos os países em uma luta comum para derrubar o sistema capitalista e estabelecer o socialismo em escala mundial.
